Terror à brasileira.

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Num cinema brasileiro de filmes de tiroteio e comédias manjadas, 22 minutos de terror puro, legitimamente nacional.

Eis o curta “Amor Só De Mãe” do diretor Dennison Ramalho.

Com diversos prêmios incluindo melhores Direção, Fotografia, Música e Edição e Favorito do Público, o curta é uma grande homenagem aos quadrinhos de terror que circulavam no Brasil na década de 1970 como Kripta, Spektro e Vampirella.

yes-nos-temos-terror-_interna1Sobre o trabalho, o diretor disse numa entrevista dada à extinta Revista Carcasse:

“Meu filme é gore, isto é, expõe sangue, carne e vísceras. Ele não é trash. Tivemos um dos melhores fotógrafos do Brasil, o José Roberto Eliezer (de A Dama do Cine Shangai e A Grande Arte).”

Suas inspirações foram os cineastas José Mojica Marins, Tobe Hopper e Alejandro Jodorowsky. Deste último, Ramalho tirou a “coisa tosca e elaborada ao mesmo tempo” (em suas próprias palavras).

Em Portugal, no primeiro festival pelo qual o filme passou, algumas pessoas saíram da sala antes de terminar a exibição.

A produção foi bancada pela Olhos de Cão, que tem em seu portfolio outras porradas cinematográficas como “Amarelo Manga” (Cláudio Assis, 2003), “A Concepção” (José Eduardo Belmonte, 2005) e “Encarnação do Demônio” (José Mojica Marins, 2008) que encerra a Trilogia Zé do Caixão.

Quanto ao Cinema de Horror nacional, vale a pena deixarmos o diretor falar:

“Paga-se um preço muito alto por trabalhar com esse gênero [no Brasil], que é tido como vulgar, agressivo, gratuito e barato. São filmes de confrontação, que não querem ser agradáveis, e sim causar angústia, outras emoções. E a classe acadêmica tem uma grande responsabilidade nesse tipo de reação, pois ela está intrinsecamente ligada ao fazer cinema no Brasil. Tem os caras que tiveram a cabeça muito feita pelo Cinema Novo e pela Nouvelle Vague, e que defendem uma matriz intelectualizada para a nossa cinematografia. Eles acham que é terrível e vulgar ver um filme brasileiro fantástico ou de entretenimento, ou meramente sensorial. A idéia da ‘antropofagia’, de absorver matrizes importadas, já não é mais suficiente… não é mais disso que a gente precisa, e sim da busca de uma mitologia própria. O papel antropofágico, sintético, já foi cumprido pelo Zé do Caixão, que é um autodidata e foi buscar referência em filmes como ‘O Fantasma da Ópera’ estrelado pelo Lon Chaney.”

Agora, apague a luz, aumente o som e… dê play.

* CRÉDITOS: Imagens retiradas do curta-metragem.

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