Os palhaços loucos de David Lynch.

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Muitos nem imaginam quem é ele. Outros só o conhecem de nome. Outros tantos já viram, pelo menos, “O Veludo Azul”. Quem já deu de cara com ele não fica indiferente: entre amá-lo e odiá-lo, não há meios termos.
Enigmático, navegando em imagens aparentemente desconexas e com roteiros que mais parecem pesadelos, David Lynch tem em sua bagagem filmes como o asfixiante “Eraserhead”, o labiríntico “Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer”, o suspense surrealista “Cidade dos Sonhos”, a tragédia em preto e branco “O Homem Elefante”, e o noir assustador “Veludo Azul” sobre o qual a Newsweek declarou ser “uma mistura chocante, profundamente perturbadora entre os sentimentos sinceros e os horrorizantes”. Os Palhacos Loucos De David Lynch
Ele foge de você ao mesmo tempo em que provoca sua inevitável vontade de compreender, de se convencer de que tudo aquilo que você está vendo é normal, deve ser normal, precisa ser normal. Tudo precisa ter uma explicação, certo? Errado. Se você não é capaz de se deixar envolver e aceitar o choque das imagens, a luz que esconde em vez de revelar, a força da trilha sonora e uma história que vai te desorientar, é bom ficar a uma distância segura do pai de “Estrada Perdida”.
Por falar no meu predileto da lista do cineasta, Lynch é como a abertura de “Estrada Perdida”: uma estrada infinita, sendo percorrida na escuridão total, tendo como única pista as faixas amarelas no chão iluminadas obsessivamente por dois faróis, com o Bowie cantado “I’m Deranged”. Deranged, “perturbado”, David L, David B, eu e você.
Mesmo os que o conhecem podem não saber de um outro caminho igualmente perturbador percorrido pelo diretor: ele também é músico.
A música “Crazy Clown Time” foi lançada em 2011 como um dos singles do primeiro trabalho em estúdio do diretor-músico. Como seria esperado de algo escrito por Lynch: uma letra sombria, chocante, que escapa da nossa tentativa de entendê-la, de enquadrá-la em qualquer categoria. Também esperado: muitos amaram, muitos odiaram, ninguém ficou “no meio do caminho”. Lynch sendo… Lynch.
Algum tempo depois, surge o vídeo assinado pelo próprio diretor.
Num quintal comum, foram colocados alguns objetos cênicos e um grupo de atores. Cada ator interpretaria um personagem da letra e só. Nada mais foi dito. “Você é Molly que faz x”, “Você é Buddy que faz y”. Todo o resto, o diretor deixou por conta da loucura de cada um.
E virou uma loucura.
Mais uma loucura com a marca registrada de Lynch.
Diante do desespero das pessoas que tentaram compreender racionalmente o vídeo e a música, o cineasta, que se autodenomina “blueseiro moderno”, poderia responder (como respondeu numa entrevista dada para Ben Davis sobre a sua pintura – sim, ele também pinta): “São todos ideias. Ação e reação. E então aí está.”

Então, aí está:

* Crédito Header: Imagem retidada do vídeo.
* Crédito Interna: Imagem retirada do vídeo.

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