Gosotsa, uma banda do século 21

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Gosotsa uma banda do século 21. Como se não bastasse, uma banda brasileira do século 21. Indo ainda mais além: uma banda brasileira do século 21 que prova que a música brasileira não está condenada.

Um nome estranho, “Gosotsa”, para um som não menos estranho. Estranho e bem feito.

Lemos na descrição que está na fanpage: “ROCK que traz sensação de destranca-interior em nível astronômico. A aparente demência é um sacudir de poeira dos restos mortais que, um dia, cairão na vala.”

“ROCK” está escrito com maiúsculas para não deixar dúvida.

gosotsa-headerAchou pouco? Os membros da banda são Drannath, Gubolin e Élitra. Dizem por aí que eles são de Osasco, uma cidade da Grande São Paulo, e que a banda foi fundada em 2008. Porém, correm boatos que os caras vieram de esferas pluri dimensionais no entorno da galáxia de Andrômeda e que a banda nasceu 10 mil anos atrás.

Chega de introduções. Vamos diretamente à fonte…

AHC: Qual é a ligação de vocês com a Vanguarda Paulista da década de 1980 do Teatro Lira Paulistana?

Drannath: Acho que a ousadia. O atrevimento de chutar a bunda das esfinges corroídas pelo tempo é a nota dominante do GOSOTSA, e alguns artistas da vanguarda paulistana tinham esse espírito. Gosto muito do Arrigo Barnabé. Entretanto, nossa proposta estética e estrutural é bem diferente desses artistas. Somos uma banda do século 21.

AHC: Blues transcendental, rock pós-rock, psicodelia heavy metal, música alienígena, experimentação explosiva ou n.d.a.?

Drannath: Haha essa ansiedade moderna por rótulos chega a ser engraçada. Não sei se o GOSOTSA se enquadra em algum, mas eu diria que nosso som é bem probático. Acabamos de lançar um EP chamado “O Sol tá Maior II” e cada música poderia criar um rótulo diferente.

AHC: No cenário brasileiro, onde a Gosotsa se sentiria em casa?

Drannath: Eu venho de uma época que a figura do rockeiro era hostil, suja, maloqueira. Adoro os poucos lugares que ainda são frequentados por essa gente, são dos meus. Embora essa galera tenha se esquecido qual a essência do rock e se tornado o tipo de rockeiro mais ortodoxo que existe, ainda me identifico com eles. É bem interessante chocá-los haha

AHC: Que pessoas obteriam Green Card na República de Gosotsa?

Drannath: Qualquer um que deseje. Todos estão convidados. Amamos as pessoas de mente aberta!

AHC: O que o Beethoven pensaria de “Für Paula”?

Drannath: Eu adoraria saber!! Beethoven é um dos meus ídolos máximos da música. Mas receio que ele acharia a música torta demais rs

AHC: Falando em Beethoven: Da Vinci, Michelangelo ou Romero Britto?

Drannath: Haha Romero Britto é uma piada. Até acho algumas coisas legais, considerando-se como design gráfico, publicidade… Mas alçar para o status de Arte é o cúmulo. É bonitinho, mas bem ordinário. E os retratos são terríveis. Já viu a capa do CD do Naldo Benny??

AHC: Que porra está acontecendo no Brasil (ou que está deixando de acontecer) para que uma banda como vocês não esteja sendo divulgada por grandes veículos de mídia?

Drannath: Nenhuma árvore dá frutos antes do tempo. Acabamos de lançar nosso EP “O Sol tá Maior II” e, como banda independente, ainda não deu tempo de chegar nas pessoas. É natural, pois o mercado é bem saturado, cheio de rock/pop desesperado por atenção. Porém, o clip de “Bjoo Polícia” está indo super bem, com mais de 130 mil visualizações no Facebook em três semanas. Estamos caminhando, bem contentes!

AHC: Eu costumo curtir sons que ninguém mais curte, e eu curti vocês. Isso é um mau sinal?

Drannath: É ótimo sinal! Pelo menos você gosta da gente! Haha

AHC: Um engov antes e um engov depois?

Drannath: nada, tem que aguentar limpo! Tipo um sonho ruim.

AHC: Nosso país vive gritando “Independência ou Morte” enquanto assassina independentes diariamente. O que fazer para mudar isso?

Drannath: Se preparar, evoluir, buscar, produzir muito. Confesso que quase nada do que é produzido por aí me surpreende. Está tudo muito igual. E as bandas já começam pensando no público, no rótulo, na aceitação imediada. Isso é bem triste. Nestes tempos de fast food, Youtubers e Terra, o GOSOTSA levou 8 anos para construir sua identidade. Não se pode culpar o público quando a mesmice impera. Se vão gostar da gente eu não sei, mas garanto que não há nada no mundo sequer parecido!

AHC: Uma mensagem para seus futuros fãs.

Drannath: Bebam água! E leiam os livros do Universo em Desencanto. Seus lindos!

AHC: Uma mensagem para seus futuros haters.

Drannath: Bebam água! E leiam os livros do Universo em Desencanto. Seus feios!

AHC: Como as pessoas podem acompanhar as peripécias gosotsanas?

Drannath: Podem curtir a página do GOSOTSA no Facebook, seguir o Instagram, o Twitter, ouvir em todas as plataformas de streaming como Spotify, iTunes, Deezer etc, e acompanhar nosso canal no YouTube. Valeu galera!! #GosotsaCaralho

Calma! O artigo não acabou.

patrick-internaA banda também lançou um videoclipe (videoarte? experiência visual?) para a música “Bjoo Polícia”. O trabalho foi assinado pelo curitibano Patrick Macguinness.

Sem mais blablablá da minha parte.

Com a palavra, o Diretor

AHC: Qual foi a ideia básica que você seguiu para roteirizar o videoclipe?

PM: Eu escuto a música muitas vezes para me inspirar e achar o ponto de partida, que foi o ser aprisionado na placenta se contorcendo, algo bem surreal, como é a música.

AHC: Quais foram as maiores dificuldades que você encontrou para apresentar uma letra tão diferente?

PM: Eu procuro entender a alma da banda, o que o artista quer expressar, entrar na mente dele e jogar isso em um roteiro que vai se encaixar, do roteiro original apresentado à banda apenas uma detalhe foi modificado, isso quer dizer que entendi muito bem o que eles queriam dizer. Uma cena de suspense não é nada sem a música, o clipe é o contrário, as imagens tem que complementar e valorizar o som.

AHC: Um videoclipe de baixo orçamento é a única saída que a maioria das bandas pode encontrar para se projetar num mundo regido pelo vídeo. Até quando?

PM: Com a morte das gravadoras, as bandas tem que fazer o que podem, aí que está a graça da coisa, o desafio de fazer um clipe interessante e com um orçamento baixo. Para a imaginação não existe limite, o limite está na grana, então tem quer ser um alquimista, entender a mensagem, escrever um roteiro legal e que caiba no orçamento.

AHC: Você acredita na salvação do audiovisual brasileiro que tenta criar fora dos padrões exigidos pela cartilha da “Brasilidade Ensolarada de Tambores Felizes e Açaí na Tigela”?

PM: Sempre me incomodou muito esse papo de padrão brasileiro, principalmente no audiovisual. O cinema é uma arte e não tem fronteiras nem padrões, quando se impõem padrões se castra a imaginação. Vivemos sob a influência do maior mercado do mundo em audiovisual, os EUA. Eles inventaram esse bussiness, eles são os mestres e muitos por aqui, por querem reinventar a roda, acabam fazendo coisas bizarras e não é por aí. Um bom filme é aquele que é entendido por alguém do Afeganistão, França, Japão, Rússia…

AHC: Vai demorar muito para que o Brasil se veja como realmente é: um país formado por Macguinness e Meirelles, Gosotsa e Sangalo?

PM: Mais do que gostaríamos. 90% do faturamento da música brasileira é sertanejo, os outros 10% são divididos entre os outros estilos. Rock é 0, nada nessa equação. Os motivos são muitos, começando pela grande diversidade de estilos de música. Por aqui, além de tudo ser muito mais caro, o público é pequeno, temos que espremer a imaginação. O mercado brasileiro é só panelinha que você não entra nem fodendo. Para achar o seu lugar, tem que sofrer e contar com a sorte. Eu já vi muita gente boa desistindo e indo trabalhar atrás de uma mesa de escritório porque não consegue mostrar seu trabalho, enquanto gente incompetente tem carteiras gordas de clientes, só pelo network. Nos EUA ou Europa, se você é bom é valorizado, aqui te excluem para que você não ofusque ou tire o espaço de quem está aí sentado confortavelmente.

AHC: Projetos Futuros.

PM: Longas, séries e algo que nunca pensei em fazer que são documentários. Eu estou começando a passar no buraco da agulha, empurrando uma pedra gigante ladeira acima como você mesmo sabe que é essa vida por aqui, nunca me preocupei com fama ou dinheiro. Eu quero fazer algo decente que vá ficar marcado na cinegrafia brasileira.

AHC: Me responda a última: filme novinho aprovado?

PM: Sim, é a primeira etapa realizada que é ter o projeto aprovado, mas ainda tem uma longa jornada, dois quartos estão prontos que é criar e aprovar aí vem captar e executar. Acredito que o primeiro de muitos. Os futuros espero não depender de leis de incentivo.

Você pode estar se perguntando: “Será que o artigo acabou finalmente?”

E eu te respondo com outra pergunta: “Será que este artigo existe ou é uma viagem astral sua?”

Continue viajando:

* CRÉDITOS: Imagens cedidas pela Banda e pelo Diretor.

Link: https://www.facebook.com/gosotsa

 

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